A detecção e a intervenção precoces da perda auditiva na infância continuam sendo um dos pilares mais determinantes para os resultados auditivos e o desenvolvimento da linguagem. Em entrevista, o Dr. Felippe Felix, otologista do Brasil, compartilha sua visão clínica sobre a abordagem integral da criança com suspeita de perda auditiva, desde a triagem neonatal até a eventual indicação de um implante coclear.
1. O ponto de partida: a sala de maternidade
O processo começa com a detecção precoce, idealmente ainda na maternidade, por meio dos testes de emissões otoacústicas (EOA). Essa primeira avaliação permite identificar a possibilidade de perda auditiva e acionar rapidamente o protocolo diagnóstico.
O Dr. Felix enfatiza que não basta apenas uma suspeita inicial. Durante o primeiro mês de vida, devem ser realizados exames objetivos mais específicos, como:
- BERA com frequência específica.
- Potenciais evocados auditivos de estado estável.
O objetivo é claro: confirmar o diagnóstico audiológico o mais cedo possível.
A mensagem clínica é contundente: concluir o diagnóstico idealmente até os dois meses de idade permite iniciar a intervenção de forma precoce.
2. Confirmação diagnóstica e planejamento precoce
Uma vez confirmada uma perda auditiva severa ou profunda, o próximo passo é estruturar um plano terapêutico integral.
A abordagem descrita pelo Dr. Felix inclui:
- Adaptação precoce de aparelhos auditivos.
- Intervenção fonoaudiológica imediata.
- Monitoramento das respostas auditivas e do progresso do desenvolvimento.
Esse período é crucial. Não se trata apenas de amplificar o som, mas de avaliar de forma dinâmica a resposta da criança à estimulação auditiva.
O especialista destaca que, entre seis e oito meses de idade, já é possível reunir informações suficientes para determinar se a criança está obtendo benefícios adequados com os aparelhos auditivos ou se deve ser considerada a indicação de implante coclear.
3. O papel estratégico dos exames de imagem
Quando se confirma uma perda auditiva severa/profunda e surge a possibilidade de implantação coclear, os exames de imagem assumem um papel determinante.
O Dr. Felix ressalta a importância de solicitar exames que permitam identificar:
- Malformações cocleares.
- Ausência ou alterações do nervo auditivo.
- Variações anatômicas relevantes.
Essas informações não apenas confirmam a viabilidade cirúrgica, como também contribuem para:
- Estabelecer prognósticos realistas.
- Antecipar desafios intraoperatórios.
- Orientar adequadamente a familia.
A avaliação anatômica precoce evita atrasos desnecessários e otimiza a tomada de decisão clínica.
4. Trabalho em equipe: um modelo interdisciplinar
Uma das mensagens mais relevantes da entrevista é a necessidade de uma equipe interdisciplinar sólida.
O processo não depende exclusivamente do cirurgião ou do audiologista. Envolve:
- Otorrinolaringologia.
- Audiologia clínica.
- Fonoaudiologia.
- Radiologia.
- Apoio familiar contínuo.
O acompanhamento próximo da resposta ao aparelhos auditivos, do progresso comunicativo e do desenvolvimento auditivo permite uma decisão baseada em evidências, e não em prazos arbitrários.
5. Janela crítica do desenvolvimento auditivo: o impacto do tempo nos resultados
Sob uma perspectiva neurobiológica, a intervenção precoce é determinante. A plasticidade cerebral auditiva é máxima nos primeiros meses e anos de vida.
Adiar o diagnóstico ou a decisão terapêutica pode impactar:
- O desenvolvimento da linguagem.
- A integração escolar.
- A comunicação familiar.
- O prognóstico funcional a longo prazo.
A abordagem descrita pelo Dr. Felix reflete uma filosofia clínica alinhada às melhores práticas internacionais: diagnosticar precocemente, intervir precocemente e decidir no momento oportuno.
Reflexão
A entrevista nos deixa três grandes aprendizados:
- Concluir o diagnóstico antes dos 2 meses é possível e desejável. No entanto, é muito importante esclarecer que o JCIH (Joint Committee on Infant Hearing) sugere o seguinte cronograma: primeiro mês, triagem; terceiro mês, diagnóstico confirmado; e sexto mês, intervenção.
- A avaliação do benefício com AASI deve ser estruturada e objetiva.
- A decisão pelo implante coclear pode e deve ser considerada dentro do primeiro ano de vida, quando indicada.
Em um contexto latino-americano onde ainda existem desafios relacionados ao acesso e aos tempos de encaminhamento, esse modelo clínico representa um padrão para o qual devemos avançar.
O compromisso com a triagem neonatal universal, a confirmação diagnóstica rápida e o trabalho interdisciplinar coordenado são elementos fundamentais para garantir que cada criança com perda auditiva tenha a melhor oportunidade de desenvolver seu máximo potencial.
Conclusão
A experiência compartilhada pelo Dr. Felippe Felix reforça um princípio fundamental na saúde auditiva pediátrica: cada mês conta. A combinação de triagem neonatal eficaz, confirmação diagnóstica oportuna, adaptação precoce de AASI e avaliação objetiva do benefício auditivo permite decisões clínicas fundamentadas dentro da janela crítica de plasticidade cerebral.
Para os profissionais de saúde auditiva, o desafio não é apenas técnico, mas também organizacional: fortalecer fluxos de encaminhamento, consolidar equipes interdisciplinares e acompanhar ativamente as famílias em cada etapa do processo.
Diagnosticar precocemente é responsabilidade.
Intervir no momento oportuno é compromisso.
Decidir com base em evidências é liderança clínica.
Quando esses três pilares se alinham, não apenas otimizamos resultados auditivos: transformamos trajetórias de vida.
Na Cochlear™, seguimos promovendo a educação médica continuada e o intercâmbio de experiências clínicas que fortalecem a prática baseada em evidências em toda a região. Porque ouvir cedo transforma vidas..
Para mais detalhes, convidamos você a assistir à entrevista completa com o Dr. Felippe Felix:
Sobre o Dr. Felippe Felix:
Graduado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, residência médica em Otorrinolaringologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e formação em Otologia no Instituto Georges Portmann (Bordeaux, França) e no Serviço de Otorrinolaringologia da Universidade de Bordeaux II (França). Atuou como médico visitante no House Ear Institute, em Los Angeles (2009), e na Universidade de Hannover, Alemanha (2017). Possui mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e do Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Fundou a Clínica de Otite Média Crônica e Colesteatoma na UFRJ em 2006 e a Clínica de Implantes Cocleares na UFRJ em 2010.
Código: D2440899
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Este material é destinado a profissionais de saúde. Se você é um consumidor, procure orientação do seu profissional de saúde sobre tratamentos para perda auditiva. Os resultados podem variar, e seu profissional de saúde orientará sobre os fatores que podem afetar seu resultado. Leia sempre as instruções de uso. Nem todos os produtos estão disponíveis em todos os países. Entre em contato com o representante local da Cochlear para obter informações sobre produtos. Cochlear, 科利耳, コクレア, 코클리어, Hear now. And always, Nucleus, Kanso, Nexa, Advance OffStylet, AutoNRT, コントゥア, Contour Advance, Custom Sound, Freedom, NRT, SmartSound, o logotipo elíptico e as marcas que contêm os símbolos ® ou ™ são marcas comerciais ou marcas registradas do grupo Cochlear (salvo indicação em contrário).

